sábado, 1 de maio de 2010

À Minha Mãe

Rilmar

Nossa Senhora na beira do rio.
Lavava os paninhos de seu bento fio...

Eu bem quisera escrever em trovas, mas não as consigo criar dignas destas memórias...

E falo a você, Mãe, com a firme lembrança da sua imagem naquelas tardes ensolaradas quando você, que durante toda a semana lecionara o dia todo e parte da noite para alunos de ambos os sexos, de todas idades, das mais variadas classes sociais e de comportamentos os mais diversos e imprevisíveis; mas, que a sua paciência imensa, o seu amor ilimitado, a sua alegria que se espargia e contagiava a todos; envolviam, compreendiam, harmonizavam, disciplinavam e conseguiam conduzi-los paulatinamente em direção à luz do saber. Naquelas tardes ensolaradas você, inesgotável e bela, ainda tinha missões para o fim de semana.
Como a vejo nítida destacando-se nestas imagens que me vêm à mente. Seu português tão correto, sua letra de lindíssimo talhe, suas frases tão plenas de saber, de compreensão, de poesia, elegantes e delicadas. E as inesquecíveis lições de humildade que nos dava, indo, ao final da semana, alegremente até, levando-nos para o córrego como se fôssemos passear, quando, na verdade, você ia era lavar a imensa trouxa de roupas que as nove pessoas da casa usaram durante a semana.
E a lembrança me traz você como aquela Nossa Senhora da cantiga de ninar:
Nossa Senhora na beira do rio.
Lavava os paninhos do seu bento fio.
Ela lavava, José estendia.
O menino chorava com o frio que fazia...
Era você lavando, contando casos repletos de interesses para nós que deitados na água morna do pequeno regato mantínhamos os olhos e os ouvidos ligados nos seus gestos e em cada palavra sua no desenrolar da narrativa
Nítida e iluminada como uma santa, saudosa e amada como as mães podem ser, eis como minhas lembranças a retratam.
Fim de dia. Recolhidas as roupas e refeita a trouxa, lá ia você com a imensa mala de roupas e a fila de filhos a acompanhá-la de volta ao lar.
Mais que a professora, maior que a diretora, grande como uma luminosa divindade; tranqüila, afagando um ou outro, sorrindo no seu grandioso papel de Mãe!...
Maria como a mãe do menino Deus, bendita mulher que veio ao mundo para dar amor e espalhar luz e saber. Hei de sempre lembrá-la com seu amável sorriso a semear virtudes, tolerância e amor.
Muito obrigado minha mãe, minha amiga, meu fanal. Muito obrigado por ter deixado em mim essas lembranças que me envaidecem demais e me ensinam muito o respeito de humildade e altruísmo.
10-05-1979
Rilmar José Gomes

Um comentário:

  1. Pai, mais bonito impossível. Imprimi e vou mandar para a tia Rilmari. beijos.

    ResponderExcluir