terça-feira, 29 de junho de 2021

Solidão

 

                   Solidão

                                                               Rilmar (1989)

 

Num cais distante perdido,

No ocaso da existência,

Sou aquele barco triste

Que ali jaz ignorado e só,

Na penumbra morta do fim de tarde.

Na imobilidade da água quieta.

 

A introspecção isola,

A inércia perpetua a distância,

O silêncio eterniza o tédio;

A solidão cresce como uma sombra,

 Lentamente apagando o lume da alma

 

Ninguém:

Nem pássaros,

Nem gente,

Nem os fantasmas;

 

Nada altera esse estado de só.

O lume é agora apenas uma pequena chama,

Imersa numa densa e imensa bruma.

Mas, ainda há uma chama.

Há ainda uma percepção que refere

Doçura pouca e sutilíssima

No isolamento, no silencio, na paz dessa quietude.

 

Deixai assim ficar o barco,

Que não o perturbe sequer,

Um olhar triste

Ou a onda provocada

Por uma lágrima vertida

E que ao cair estremeça

A quietude da água.

          -------x------

 

 

 

 

 

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