quinta-feira, 10 de março de 2022
2019 -dia das Mulheres
Dia das Mulheres 2022
A todas as mulheres do nosso solitário ponto azul no infinito.
Digo que sois deiades que multiplicam com graça, brilho e esplendor tudo o que enternece, embeleza, ameniza, anima, alegra e torna acolhedor e maravilhoso o nosso viver aqui nesse lindo planeta.
Dia da Mulher
Oito de
Março –
Dia da
Mulher
Hoje
trago-lhes uma flor, mas venho mesmo é pedir.
Dosem um
pouco essa magia; continuem maravilhosas e encantando a vida, mas conceda-nos,
um pouquinho que seja, de lucidez.
Não nos enebriem tanto com esses perfumes de
flores, de extratos e de suas naturezas.
Não capturem
tão definitivamente nossos olhos com os brilhos e as cores desses olhos e a
magia que há no olhar concedido ou negado, intenso e direto ou fugidio e de soslaio,
mas que nos toma. Ora nos anima e alegra, ora nos despreza e desespera.
Não deixem
esses cabelos esvoaçando em desalinho ao sabor do vento, nem os arrumem de
modos a intensificarem tanto seus encantos.
Sorriam
maravilhosamente passando sonoridade que encanta, e beleza na forma da boca, na
mímica da face, na moldura dos lábios e no brilho dos dentes. Porém façam isso
com parcimônia tal que não nos aprisionem de uma vez. Com parcimônia, mas por
toda a vida.
As mãos,
cálidas, carinhosas, suaves, delicadas. Deixem-nos tocá-las, tomá-las e comprimi-las
contra o rosto, a boca e beijá-las cheios de esperanças.
Deixem que
adivinhemos o que as roupas enfeitam e escondem. Um modo de andar, um trejeito.
um balanço natural já revelam tanto que peço moderação até no modo de calcar o
pé descalço na areia, ou como pisam cuidadosas na calçada usando um salto e
destacando o balançar.
Há magia em
tudo que fazem.
Somos almas
irremediavelmente dependentes dos seus encantos.
Em cada
gesto, sorriso, cada olhar; há um código que nos enlaça.
Então, nesse
dia, peço que se contenham e nos encantem sempre, mas com pequenas pausas para
que possamos respirar.
Salve o Dia
das Mulheres!
2021?
sábado, 4 de dezembro de 2021
Caminhos da Vida
Caminhos da Vida
Evito de narrar certas histórias pelo medo de cair no descrédito
dos raros leitores.
Porém não cabe a mim controlar os acontecimentos e, assim, o
jeito é contar.
Havia lá
onde vivi a maior parte de minha vida; umas moças sabidas que namoravam homens
de mais idade, velhuscos, pensando em se arrumarem, abiscoitarem alguma herança
ou coisa assim.
Lá morava um certo
fazendeiro, velho, quase noventenário, espoleta, pagodeiro, desses que não se
enxergam e pensam que ainda são moços para terem certas pretensões e
comportamentos.
Não hão de ver que uma moça bem bonita, cheia de juventude e
atrevimentos se inclinou para o lado dele, se insinuando com olhares, sorrisos,
atenções, trejeitos e encorajamentos até que ele também se engraçou.
Acabaram tendo um caso.
Meio secreto, um tanto às escondidas.
Porém rumoroso graças à ferocidade da língua do povo. Viveram um tempo não
tão longo, mas de certa forma feliz.
Ele, quase sem acreditar que no, tarde da vida, muito tarde;
ainda arranjaria uma preciosidade daquela; charmosa e perfumada, alegre, bonita,
tão cativante, capaz de despertar nele emoções há tanto tempo adormecidas e
algumas que ele supunha até extintas.
Ela, convivendo com um aquinhoado
fazendeiro, cuidava de fazê-lo feliz e preenchia sua vida com carinhos,
atenções e esmerado desvelo.
Não só dava seu melhor empenho para o agradar como tratava
de o fazer crer que a fazia feliz e excitada com suas atenções e carinhos.
A vida fluía e ela
desempenhava, embora com sacrifícios, seu papel.
Abraçava- lhe o corpo senil, sentia seu cheiro vetusto,
beijava a boca velhusca quando o beijo fosse inevitável.
A pouca luz do quarto ajudava a aparentar contentamento e
excitação. Pensando no futuro conseguia alguma felicidade.
Seguia a vida.
Ela suportando, orando e esperando.
Ele se deleitando mergulhado naquela atmosfera de benesses,
rejuvenescido e contente.
Por fim, certo dia a morte se
compadeceu da pobre heroína, veio e o levou consigo para a eternidade.
Partiu com um ar feliz e pimpão!...
Choraram a perda por uns dias.
Mais algum tempo de ar sombrio.
Começou então a surgirem herdeiros.
Apareceram dez filhos
legítimos, uns tantos ilegítimos, mas comprovadamente filhos, três ex-esposas,
duas concubinas, duas enteadas que acabaram se comprovando serem filhas
disfarçadas de enteadas. Dívidas bancárias, negócios não terminados e mais
alguns penduricalhos pendentes.
O raio do velhinho que piscava miúdo e tinha olhos limpos
como os de uma raposa, possuía uns 1500 bois na engorda, uns cem alqueires de
terras cobertas de capim, um casarão muito antigo e sem grande valor.
Muito menos do que se
pensava.
Nada mais.
Foi preciso contratar advogado dos bons e caro, esperar uma
infinidade de tempo, se contentar com uma glebazinha de terra de nada e um
punhado de boizecos. Tudo isso, dividido pelas mil e uma noites do
tórrido romance vivido por ele, foi um baita negócio; para ela, no entanto, pelas
mil e uma noites de sacrifícios e de vida doada na vã esperança de se tornar
uma grande fazendeira, foi uma decepção sem tamanho e até hoje se pergunta quem
foi que ludibriou quem.
Dizem que tempos depois ainda bonita e nem tão fazendeira, se
casou e com o novo marido, moço probo, saudável e trabalhador; se dedicou com
afinco ao labor, encheu de calos as mãos e de dores as costas.
Acabaram por juntar algum dinheiro e conseguiram comprar várias
glebas, então inúteis, dos outros herdeiros, utilíssimas se reunidas; chegou à
condição de micro proprietária tendo enfim, sua ilusão concretizada já no
ocaso da vida...
rilmar. 22/11/2021
segunda-feira, 1 de novembro de 2021
Lua que Beija o Rio
Lua que beija o rio,
Lua que beija o mar,
Leva para longe a saudade,
Antes dela me matar.
Cercada de escuridão,
Fazendo de prata o mar,
Leva embora a saudade,
Mas leva bem devagar,
Alma vazia dói muito
Deixa a saudade ficar.
Vem clarear minha noite.
Caminhos de meu andar,
Ilumina minha mente,
Vem e me ensina a rimar.
Na escuridão da noite,
Parece nascer do mar,
Antes de subir nos céus
Tenta tocá-lo e beijar.
A água do mar tremula,
Refletindo a luz da lua,
E espumas luminosas,
Vêm banhar a praia nua.
Vai levando as saudades,
Porém sem nunca acabar,
Leva lento e de mansinho,
Ponha outra no lugar.
Por certo fica a saudade;
Da noite, do mar, da areia,
Desse lume cor de prata,
Da noite de lua cheia.
Rilmar – 27/10/2021
Um Olhar
Exaurido em minha capacidade de suportar as saudades, intentei analisá-las, classificá-las e separar por grupos, por espécies, intensidades, por tipos de sentimentos nelas contidos. Para enfim, eu como um analista, entender e assim poder, num sopro, desfazer, ao menos as mais doloridas.
Postas ali
na mesa se assemelhavam em muitos pontos, mas bem observadas, não só com os
olhos; aplicados sentimentos, coração, lembranças, alma; percebia-se nítidas diferenças.
Saudades de
gentes várias indistintas e em grupos. Saudades de amigos, de colegas, de
turmas sorrindo, conversando, contando experiências, saudando, festejando
fazendo algazarras.
Saudades das
vivências longas em família com presença de nossos pais, irmãos, irmãs, coisas
da casa; do dia a dia, das alegrias vividas juntos em família. Imensas saudades
de minha mãe.
Saudades de
lugares, do dia a dia no trabalho, dos folguedos, dos jogos com minhas turmas.
Dos
namoricos, dos flertes que nos enchiam de sonhos. Dos namoros cheios de
inseguranças e ciúmes.
Encontrei, casualmente,
a saudade de uns olhos cujas cores não esqueço; um castanho escuro irisado de
tons claros brilhantes que diziam coisas à minha alma e eram muito mais um
olhar que dois olhos. Tenho certeza de que emanações luminosas saem dos olhos e
no trajeto se cruzam e nos alcançam já como um envolvimento inebriante e mágico;
eis o que é o olhar. Naquele olhar consentido
e direcionado aos meus olhos, eu me embebia e sorvia sonhos, esperanças,
promessas, ilusões imensas e indefinidas. Sentia que me envolvia e dominava,
mas era de tal maneira irresistível, doce, bom e suave que eu me deixava
envolver e nele mergulhar sem me importar quão profundo era nem até onde me
levaria e o que de mim faria.
Ela, angelical e sorridente, parece que também
sentia o que meus olhos diziam, também se inebriava, então mergulhávamos juntos
na imensidão daquela envolvência sem sabermos até onde iríamos.
E íamos, e
íamos...
Mesmo depois
de nos afastarmos, continuava sonhando, absorto, desligado do mundo, percebendo
tudo com a alma e como que desprovido dos sentidos.
Esses
olhares, esse repetido olhar, ainda hoje, assoma vez por outra, de dentro de
mim, pois impregnou minha alma. Quando emerge ainda tem o poder de me levar de
volta no tempo a ressentir as lembranças, as emoções, ela; o momento e o lugar.
Até o perfume suave de uma dama da noite que florescia distante e o vento trazia
dando mais encanto à noite; até esse sutil aroma retorna nessa saudade.
Há uma certa
e boa concretude nas lembranças que o reviver esse olhar me traz.
No entanto,
o tempo, esse impalpável componente da existência; com suas horas fugazes,
dias, noites, meses e anos. Consome os momentos irreversivelmente e nesse
consumir leva juntos os seres que fomos, esmaece a nossa capacidade de sentir a
vida com as alegrias e encantos juvenis, com a pueril inexperiência onde cada
detalhe do viver era algo novo e carregado de emoções nunca dantes sentida.
O Tempo, o
mesmo tempo que nos amadureceu, nos afastou, interpondo-se entre nós, entre as
emoções daqueles olhares e o nosso hoje. Mexeu em nossos corações, mudou nossos
sorrisos, pôs neblina em nossos olhos impossibilitando-os de captar olhares em
toda sua intensidade.
Há uma
lembrança viva, buscada em certos momentos, mas o tempo leva tudo para tão intransponível
distância que só consigo alcançar imagens fugidias, perfumes quase
imperceptíveis, e um olhar lembrado que ainda consegue mexer comigo e causar
uma dor funda e doce no coração ou na alma.
Ela linda e
juvenil, a noite silenciosa de brisa fresca, a dama da noite exalando um
perfume inebriante, o brilho de seu olhar, seu rosto maravilhoso e expressivo
fazendo parte do encantamento e nós ali, tão jovens, descobrindo emoções tocados
apenas pela magia do olhar.
Me perco
nesse olhar e as demais e incontáveis lembranças postas na mesa para análise
ali permanecem inertes e esmaecidas pois algumas lágrimas vertidas turvam mais
a minha vista e expressam um embotamento da mente que, agora, não consegue mais
ser racional e continuar a tarefa pretendida.
28/09/2021 - rilmar