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sábado, 9 de dezembro de 2017
Jóquei Clube sob o Luar
Luzes apagadas em uma noite de lua clara, clara o suficiente para que se destaque sua majestosa figura meu Jóquei Clube de Ipameri. Meu como tudo que habita esse presépio montado com figuras de tudo o que compôs minha infância e adolescência, de tudo que me leva àqueles idos que em parte ainda aí estão. A penumbra o valoriza e enobrece. As luzes apagadas nos entristecem profundamente; uma tristeza que, quanto mais nos alongamos observando a sombria escuridão das janelas, mais e mais se acentua e nos envolve. Ninguém, talvez, o lembre com as riquezas de minhas vivências em relação a você Jóquei Clube. Meu pai aí trabalhando me convocava e nós cuidávamos de você para que suas festas tivessem o brilho e elegância que você merecia. Muitas vezes levei, na quase madrugada, lanche para meu pai na portaria e sua aparência era parecida externamente com essa aí mas havia luzes e mais luzes iluminando e acendendo como efeitos especiais. E havia sons de orquestra e de gentes falando, rindo cantando, saindo, chegando. Outros momentos eram os em que eu ia em alguma matinée de carnaval, ou peças de teatro. Outros ainda era quando ia com meu irmão, pescar no ribeirão que passa aí nos fundos e, na calma sombra da beira do poço, ficava apreciando sua majestade, sua beleza, sua grandeza. Espero que, ausente embora o Nandão, consigamos te recompor, te embelezar e preservar materialmente e nas nossas lembranças.
Colégio das Freiras
Gostei tanto desta imagem que resolvi compartilhar. O Colégio das Freiras. Imponente, sacrossanto, misterioso, instigante. Instigava nossas imaginações por seu conteúdo de cultura e arte, pelos modos recatados das Irmãs, pelo silêncio e, sobretudo por ser frequentado e habitado por uma plêiade das belas, gentis, educadas e angelicais adolescentes de Ipameri e de uma vasta região de cidades próximas e das fazendas, que ali iam buscar conhecimentos e finesse. Podíamos, às vezes, num vislumbre, vê-las organizadas, com suas boinas azul-escuro, suas sais plissadas, suas blusas alvíssimas e com enfeite de rendas na frente e a impecável gravatinha como lepdopteros azuis pousados; meias brancas e sapatos pretos envernizados e brilhantes. Passavam silenciosas, meigas, belas, disfarçando olhares de soslaio e esboçando sorrisos; muito bem contidas e guardadas por irmãs prestimosas e atentas. Iam em direção à Igreja na missa mais concorrida das manhãs dos domingos. Também Domingos era o Padre. Pela imagem e pelas lembranças, estou compartilhando.( fotografia de Rilmar José Gomes Filho - janeiro de 2017)
sábado, 15 de janeiro de 2011
O Exterminador de Ratos
Ratos, grandes ratos pardos e rabudos tinham ocupado o espaço sob um telhadinho que cobria uma laje num dos cômodos lá de casa.
A presença incômoda, os atrevimentos crescentes, os prejuízos, a algazarra que faziam namorando, as reclamações da patroa e dos meninos; tudo foi me chateando e me obrigando a dar um fim neles.

Então eu parti com a simplicidade dos inexperientes; com a afoiteza do que despreza o adversário; com o menosprezo imperdoável dos que se superestimam e desconhecem o poderio do inimigo.
Parti com um cabo de vassoura em direção ao telhadinho e comecei a cutucar e levantar telhas na esperança de ver ratos voarem apavorados e às tontas para que os meninos e o cachorro os matassem.
Mas qual, onde é que se meteram?... Sumiram como por encanto... Aliás, sumiram com exceção de um adolescente que, de repente se projetou de um vão de telha e caiu no meio do patiozinho cimentado da área.
E aí a balbúrdia se instalou; já que meninos, adultos, cães e gatos; todos ao mesmo tempo, partiram alucinados p’rá cima do inimigo tão esperado e que, àquela altura, já me parecia apenas um pobre rato acuado.
Mas, o que dizer àqueles vândalos, àqueles revoltados justiceiros que não só queriam o inimigo morto, como queriam, cada um, matá-lo pessoalmente?...
O ratinho, com dois olhinhos assustados e protusos, não fez qualquer análise das razões do inimigo e nem sequer quis medir-lhe o poder de destruição. Toda a luta, todo heroísmo, toda resistência possível se resumia em sobreviver. E, sobreviver era não ser pego de forma alguma, para o que valia morder, arranhar, correr em ziguezagues, subir pelas paredes e até pelas pernas dos justiceiros.
Daí, minha casa quase veio abaixo. De um lado: pauladas, gritos, chutes, latidos, topadas, confusão infernal. Do outro: dribles rápidos, idas e vindas incontáveis, guinchos, desaparecimentos momentâneos e mil outros truques de quem tem milhares de anos de tradição neste tipo de luta.
A luta seria tremendamente desigual em favor do rato, não fosse pelo fato de ele não ter como sair do campo de batalha e, em conseqüência, ir tendo suas forças paulatinamente minadas já que lutava sozinho e sem trégua, enquanto que ao inimigo era permitido o revezamento, reforços, troca de vassoura quebrada por outra inteira e, muitas outras vantagens. Mas, com uns quinze minutos de embate, eu, vendo a depredação que faziam nas paredes, portas e utensílios domésticos; sem que ninguém suspeitasse, desertei de nossas colunas e resolvi apoiar a causa da minoria oprimida, que naquele momento era o fatigado ratinho.
No exato instante em que o dito, minoria oprimida, vinha alucinado para dar a centésima topada com a porta, eu, subitamente a abri, como se fosse entrar para ajudar os opressores e, nisso o rato passou como uma bala em ricochete e desapareceu pelo quintal afora.
Desaprovada aquela conduta, parti para inúmeras outras:
Isca envenenada... Nada!
Ratoeira infalível... Horrível!
Felinos audazes... Ineficazes!
Gás hilariante... Hilariante!
Gás Lacrimogêneo, Detefon, bombas, fumaça, vigília cívica...
Fracasso total.
Passados uns dias, estava eu pensativo e desanimado à porta de minha casa quando passa um homem aí de uns cinqüenta e cinco para sessenta anos, curtido de sol, um pouco sujo e com umas botinas já meio corrompidas pelo uso. Bem, a descrição do homem não importa muito; o fato é que ele trazia um saco nas costas e veio exatíssimamente me perguntar se eu não estaria precisando de dar combate a ratos, que era o que ele sabia fazer de maneira eficaz, silenciosa e módica.
Vocês hão de crer que eu não fiz qualquer pergunta? Tal era o meu desespero para ficar livre dos ratos. Não perguntei sequer o que é que ele trazia naquele saco. Apenas combinamos que no dia seguinte estaríamos fora e ele, devidamente informado dos detalhes, ficava com a casa à disposição para o tal extermínio e com ele, ficaria apenas o nosso guarda-noite com ordens expressas de cuidar da casa mas, não interferir no trabalho dele.
Partimos cedo, cheios de esperanças, passamos todo o dia fora e só retornamos boca-da-noite, curiosíssimos e desconfiados.
Ao chegar, encontrei o homem de papo como o guarda, na maior despreocupação do mundo.
- E os ratos? Perguntei.
- Ah! Tem mais rato do que eu pensei e vou precisar de mais tempo.
- E então, como é que ficamos, o senhor volta amanhã para terminar o serviço?
- Num tem jeito não patrão, eu só posso sair com o serviço terminado.
- Mas, e nós?... Há algum inconveniente em dormirmos na casa?
- Bão... Tendo medo de cobra tem.
- Cobras? Que cobras?...
- As cobras que tão pegando os ratos.
- Mas o senhor pôs cobras na minha casa para pegar ratos?
- Pus, mas quando os ratos acabarem eu chamo as cobras e elas voltam p’ro saco.
- Pois o senhor retire essas cobras imediatamente de minha casa antes que eu tome uma providência.
- Num adianta patrão, elas só obedecem quando os ratos acabam.
Nessas alturas minha mulher, as crianças e até o cachorro que andaram ouvindo parte da conversa, já tinham se encarapitado no carro e se recusavam até por os pés no chão, com medo das tais de cobras; caninanas como o homem me esclareceu.
O jeito foi encarar um hotelzinho sem estrelas.
Foram seis dias de hotel, mas que valeram apena. Não sobrou um único rato na casa, não se destruiu uma só telha; o homem saiu de lá com um saco cheio de cobras nutridas e felizes e não quis nem cobrar pelo serviço.
É importante salientar que as tais caninanas deixaram por lá um tal almíscar de cobra, que rato nenhum nunca mais se aventurou sequer a se aproximar lá de casa nem para comer queijo.
O homem misterioso sumiu, mas ouço dizer que ele é uma espécie de benzedor e mora ali pelas proximidades da barra do Antas com o Corumbá, assim, se alguém quiser usufruir do método, estou pronto a ajudar a procurá-lo.
05.8.1989
Rilmar
A presença incômoda, os atrevimentos crescentes, os prejuízos, a algazarra que faziam namorando, as reclamações da patroa e dos meninos; tudo foi me chateando e me obrigando a dar um fim neles.

Então eu parti com a simplicidade dos inexperientes; com a afoiteza do que despreza o adversário; com o menosprezo imperdoável dos que se superestimam e desconhecem o poderio do inimigo.
Parti com um cabo de vassoura em direção ao telhadinho e comecei a cutucar e levantar telhas na esperança de ver ratos voarem apavorados e às tontas para que os meninos e o cachorro os matassem.
Mas qual, onde é que se meteram?... Sumiram como por encanto... Aliás, sumiram com exceção de um adolescente que, de repente se projetou de um vão de telha e caiu no meio do patiozinho cimentado da área.
E aí a balbúrdia se instalou; já que meninos, adultos, cães e gatos; todos ao mesmo tempo, partiram alucinados p’rá cima do inimigo tão esperado e que, àquela altura, já me parecia apenas um pobre rato acuado.
Mas, o que dizer àqueles vândalos, àqueles revoltados justiceiros que não só queriam o inimigo morto, como queriam, cada um, matá-lo pessoalmente?...
O ratinho, com dois olhinhos assustados e protusos, não fez qualquer análise das razões do inimigo e nem sequer quis medir-lhe o poder de destruição. Toda a luta, todo heroísmo, toda resistência possível se resumia em sobreviver. E, sobreviver era não ser pego de forma alguma, para o que valia morder, arranhar, correr em ziguezagues, subir pelas paredes e até pelas pernas dos justiceiros.
Daí, minha casa quase veio abaixo. De um lado: pauladas, gritos, chutes, latidos, topadas, confusão infernal. Do outro: dribles rápidos, idas e vindas incontáveis, guinchos, desaparecimentos momentâneos e mil outros truques de quem tem milhares de anos de tradição neste tipo de luta.
A luta seria tremendamente desigual em favor do rato, não fosse pelo fato de ele não ter como sair do campo de batalha e, em conseqüência, ir tendo suas forças paulatinamente minadas já que lutava sozinho e sem trégua, enquanto que ao inimigo era permitido o revezamento, reforços, troca de vassoura quebrada por outra inteira e, muitas outras vantagens. Mas, com uns quinze minutos de embate, eu, vendo a depredação que faziam nas paredes, portas e utensílios domésticos; sem que ninguém suspeitasse, desertei de nossas colunas e resolvi apoiar a causa da minoria oprimida, que naquele momento era o fatigado ratinho.
No exato instante em que o dito, minoria oprimida, vinha alucinado para dar a centésima topada com a porta, eu, subitamente a abri, como se fosse entrar para ajudar os opressores e, nisso o rato passou como uma bala em ricochete e desapareceu pelo quintal afora.
Desaprovada aquela conduta, parti para inúmeras outras:
Isca envenenada... Nada!
Ratoeira infalível... Horrível!
Felinos audazes... Ineficazes!
Gás hilariante... Hilariante!
Gás Lacrimogêneo, Detefon, bombas, fumaça, vigília cívica...
Fracasso total.
Passados uns dias, estava eu pensativo e desanimado à porta de minha casa quando passa um homem aí de uns cinqüenta e cinco para sessenta anos, curtido de sol, um pouco sujo e com umas botinas já meio corrompidas pelo uso. Bem, a descrição do homem não importa muito; o fato é que ele trazia um saco nas costas e veio exatíssimamente me perguntar se eu não estaria precisando de dar combate a ratos, que era o que ele sabia fazer de maneira eficaz, silenciosa e módica.
Vocês hão de crer que eu não fiz qualquer pergunta? Tal era o meu desespero para ficar livre dos ratos. Não perguntei sequer o que é que ele trazia naquele saco. Apenas combinamos que no dia seguinte estaríamos fora e ele, devidamente informado dos detalhes, ficava com a casa à disposição para o tal extermínio e com ele, ficaria apenas o nosso guarda-noite com ordens expressas de cuidar da casa mas, não interferir no trabalho dele.
Partimos cedo, cheios de esperanças, passamos todo o dia fora e só retornamos boca-da-noite, curiosíssimos e desconfiados.
Ao chegar, encontrei o homem de papo como o guarda, na maior despreocupação do mundo.
- E os ratos? Perguntei.
- Ah! Tem mais rato do que eu pensei e vou precisar de mais tempo.
- E então, como é que ficamos, o senhor volta amanhã para terminar o serviço?
- Num tem jeito não patrão, eu só posso sair com o serviço terminado.
- Mas, e nós?... Há algum inconveniente em dormirmos na casa?
- Bão... Tendo medo de cobra tem.
- Cobras? Que cobras?...
- As cobras que tão pegando os ratos.
- Mas o senhor pôs cobras na minha casa para pegar ratos?
- Pus, mas quando os ratos acabarem eu chamo as cobras e elas voltam p’ro saco.
- Pois o senhor retire essas cobras imediatamente de minha casa antes que eu tome uma providência.
- Num adianta patrão, elas só obedecem quando os ratos acabam.
Nessas alturas minha mulher, as crianças e até o cachorro que andaram ouvindo parte da conversa, já tinham se encarapitado no carro e se recusavam até por os pés no chão, com medo das tais de cobras; caninanas como o homem me esclareceu.
O jeito foi encarar um hotelzinho sem estrelas.
Foram seis dias de hotel, mas que valeram apena. Não sobrou um único rato na casa, não se destruiu uma só telha; o homem saiu de lá com um saco cheio de cobras nutridas e felizes e não quis nem cobrar pelo serviço.
É importante salientar que as tais caninanas deixaram por lá um tal almíscar de cobra, que rato nenhum nunca mais se aventurou sequer a se aproximar lá de casa nem para comer queijo.
O homem misterioso sumiu, mas ouço dizer que ele é uma espécie de benzedor e mora ali pelas proximidades da barra do Antas com o Corumbá, assim, se alguém quiser usufruir do método, estou pronto a ajudar a procurá-lo.
05.8.1989
Rilmar
terça-feira, 30 de março de 2010
A Luz, A Cruz, Jesus
Réstia de luz
No horizonte;
Pende na cruz
Defronte;
Emana-lhe luz
Da fronte;
A luz, a cruz, Jesus
No monte!

Veio de longe para vê-lo. E prostrou-se diante da cruz em que Ele jazia dependurado. Quis erguer os olhos para embeber-se do seu semblante cheio de mansidão.
Mansidão que o homem não alcança, o filósofo vislumbra e o santo procura.
Inútil, não pôde!
Tudo ao redor emanava tristeza. Várias vezes tentou levantar o olhar em vão. Faltava-lhe coragem? Forças? Auto-domínio? Ou será talvez que se sentisse pequeno demais diante da magnificência do Cristo? Mas, o cordeiro de Deus na sua mansidão e humildade não poderia acaso ser contemplado de frente por um homem comum?

No ar e nas coisas pairava o tédio.
Pendente na cruz o filho de Deus.
Prostrado em frente um homem que andara muito. Que pernoitara muitas vezes ao relento. Que há muito não via os seus e que viera para vê-lo. A pouco e pouco foi vencendo a emoção e foi subindo vagarosamente o olhar. Viu seus pés descalços, feridos, edemaciados, riscados pelo sangue escorrido já ressecado. Depois olhou o corpo maltratado, as mãos feridas e por fim mirou-lhe a face. A face que deveria refletir a dor do escárnio, da traição, da ingratidão, da injustiça; a face que deveria estar contraída pela dor física; era calma. Irradiava compreensão, piedade até.
Pendia a cabeça de encontro ao peito como se Ele dormisse. Aflorava-lhe no semblante descontraído a impressão de que sonhava talvez com uma humanidade diferente, compreensiva, amorável, sincera, crente e desprendida.
Viera de longe suplicar-lhe cura. Mas, Ele jazia ali morto.
Não alcançando a cura física, sentiu que suas dores eram pequenas demais diante das dele.
Notou-se egoísta até.
Levantou-se.
Sentia-se leve. Descontraído.
Olhou mais uma vez para o Cristo e suplicou-lhe que o ajudasse no aprimoramento do íntimo. Para que a proximidade da morte e enchesse de esperanças. Para que a fé o enchesse de bondade durante a vida.

Virou-se e começou a afastar-se vagaroso. Olhou para a perna que uma úlcera comia e não conseguiu mais ficar triste. Deu alguns passos, desceu a perna da calça cobrindo a ferida e foi embora.
Andava lentamente, arrastando a perna inchada e ulcerada. A ferida era feia, antiga, profunda, cheirava mal e doía muito a cada passo. As pessoas o evitavam. A jornada pelo mundo parecia não ter fim.
Murmurava em prece, pleno de fé: Cordeiro de Deus, ainda que eu não mereça, derrama sobre mim e vossa paz. Alivia meu sofrer...
Num tempo de pouca medicina, de infindáveis caminhadas,sem afeto, vivendo da caridade, era grande súa pena.

Tempos depois, anos talvez passados, percorria um estreito caminho que margeava uma cerca quando, parado à sua frente, viu o Cristo.
Tomé, talvez, não tenha visto um Cristo mais concreto e real.
Sentiu que estava diante de Jesus, não houve espanto, nem suplicou nada. Apenas o olhou e vendo que o Cristo sorria, sorriu também.
Depois se ajoelhou e pôs os olhos no chão. Nessa humílima atitude esteve imóvel por um tempo longo e emocionante..

Em certo momento, sentindo que Ele se fora, levantou-se.
O coração batia tão rápido e tão forte que parecia saltar do peito. Uma alegria esfuziante o arrebatava. Intrigado, desejoso de contar tudo a alguém, pôs-se a correr como um louco em direção ao povoado.
Deslocava-se velozmente, sem dores e sem se dar conta de que já podia correr.
Novembro de 1972.
Rilmar José Gomes
domingo, 25 de outubro de 2009
Da Vida a Vida Vi - Dia do Médico
Sob esse título, que soa para mim como Davi, Davi, Davi; falo um pouco desse grande ipamerino que, assim como alguns outros, deveria ter um busto erigido em praça pública.

Talvez, Ipameri devesse ter uma praça dos grandes vultos e, nas escolas, um dia por ano, fosse dedicado todo o tempo de uma ou duas aulas para se falar nos grandes vultos ipamerinos.
Minha percepção do Dr. David Cosac, é a percepção do povo, do menino que eu era quando em 1947 foi eleito prefeito de Ipameri. Estava sendo eleito um jovem médico que fizera seu curso no Rio de Janeiro onde permanecera fazendo estágios e se especializando por mais dois anos.
Inteligentíssimo, entusiasmado, com uma grande capacidade de trabalho; esplêndida formação médica que aliada à inteligência, coragem, à capacidade de decisão e ao inconformismo com as limitações técnicas encontradas na cidade para o pleno exercício da prática médica em Ipameri; fez com se tornasse, a meu ver, o grande agente para mudanças e para o estabelecimento de condições que tornaram Ipameri um centro de referência e acolhimento para tratamento, do povo de Ipameri e de uma vasta região cujo raio talvez ultrapassasse duzentos quilômetros.
Em um tempo em que a saúde não era direito do povo, não existiam planos de saúde nem SUS ou qualquer outra via de acesso a um tratamento hospitalar para quem não podia pagar; a criação de um grande hospital, bem equipado, com equipe médica competente e com sentido de equipe; e, além disso, um Hospital que na origem já era uma Associação Benemérita, uma Hospital do povo e para o povo.
A pessoa que concebeu, liderou uma equipe de valorosos cidadãos, mobilizou o povo, peregrinou em busca de verbas, fez parte de todas as etapas do planejamento e da construção e, depois se dedicou de corpo e alma trabalhando como médico generalista cujo campo de atuação abrangia todas as áreas da medicina que iam desde a pediatria, passava pela cirurgia, ginecologia e obstetrícia, psiquiatria, trauma e ortopedia.
A pessoa que foi atrás de colegas usando sua imensa capacidade de convencimento para trazê-los para Ipameri; a pessoa que administrou o hospital cuidando para que tudo fosse bem feito, para que não faltassem material, remédios, lençóis, material de limpeza, instrumentos etc.
Essa pessoa não trabalhou sozinha. Aglutinou esforços. Liderou grandes inteligências, grandes capacidades. Catalizou idéias. Direcionou ações para a conclusão de um objetivo. Formou um corpo de auxiliares, para o que chegou a mandar enfermeira fazer capacitação no Rio de Janeiro.
Para que não houvesse nenhuma possibilidade de que aquela obra não fosse inteiramente de toda a comunidade; ele, toda a equipe, todo o grupo de idealizadores criaram-na como entidade benemérita: Associação de Amparo à Maternidade e à Infância de Ipameri.
Tive algumas oportunidades de conhecer esse homem um pouco mais de perto. Uma delas foi quando eu trabalhava na Tipografia Minerva e o jornal A Folha do Povo era impresso lá. Quase sempre ele ia lá comentar uma matéria ou a colocação de um clichê na matéria que ia ser publicada naquela semana e, assim, eu tinha oportunidade de ouvi-lo argumentar com grande clareza, brilhantismo e de modo às vezes combativo mas, no mais das vezes, alegre e camarada.
Depois, tive oportunidade de trabalhar por algum tempo na residência dele, onde eu auxiliava nos serviços gerais e tinha a função de buscar um galão de leite em uma chácara do Santinoni nas proximidades da cidade. Nessa época eu, certa vez, precisei de uma consulta médica e ele me atendeu com muita cortesia e eficiência. A residência dava fundos para o Hospital e ele, mal almoçava e já estava indo para o hospital. Era incansável.
Muitos anos depois, depois de muitas voltas do mundo e da vida, tive oportunidade de trabalhar com o agora meu colega David Cosac. Se eu já o admirava conhecendo-o de longe, quando trabalhamos juntos, pude testemunhar o idealista, o denodado, o desprendido, o grande colega que me acolheu, me orientou, confiou em mim, fez de tudo para manter uma equipe coesa no Hospital Maternidade de Jaraguá, que foi onde trabalhamos juntos. Quanto mais o conhecia , mais eu me reportava à Ipameri e entendia quem foi aquele grande médico e benfeitor que tinha opositores mas a cidade toda o via como um grande médico e a maioria da população o adorava.
Não vejo como não erigir um busto em praça pública para tão grande homem, tão notória figura humana.
Com você amigo, colega, ipamerino que me orgulha: Da Vida a Vida Vi.
Minha gratidão e admiração
Rilmar - 18.10.2009 –DIA DO MÉDICO

Talvez, Ipameri devesse ter uma praça dos grandes vultos e, nas escolas, um dia por ano, fosse dedicado todo o tempo de uma ou duas aulas para se falar nos grandes vultos ipamerinos.
Minha percepção do Dr. David Cosac, é a percepção do povo, do menino que eu era quando em 1947 foi eleito prefeito de Ipameri. Estava sendo eleito um jovem médico que fizera seu curso no Rio de Janeiro onde permanecera fazendo estágios e se especializando por mais dois anos.
Inteligentíssimo, entusiasmado, com uma grande capacidade de trabalho; esplêndida formação médica que aliada à inteligência, coragem, à capacidade de decisão e ao inconformismo com as limitações técnicas encontradas na cidade para o pleno exercício da prática médica em Ipameri; fez com se tornasse, a meu ver, o grande agente para mudanças e para o estabelecimento de condições que tornaram Ipameri um centro de referência e acolhimento para tratamento, do povo de Ipameri e de uma vasta região cujo raio talvez ultrapassasse duzentos quilômetros.
Em um tempo em que a saúde não era direito do povo, não existiam planos de saúde nem SUS ou qualquer outra via de acesso a um tratamento hospitalar para quem não podia pagar; a criação de um grande hospital, bem equipado, com equipe médica competente e com sentido de equipe; e, além disso, um Hospital que na origem já era uma Associação Benemérita, uma Hospital do povo e para o povo.
A pessoa que concebeu, liderou uma equipe de valorosos cidadãos, mobilizou o povo, peregrinou em busca de verbas, fez parte de todas as etapas do planejamento e da construção e, depois se dedicou de corpo e alma trabalhando como médico generalista cujo campo de atuação abrangia todas as áreas da medicina que iam desde a pediatria, passava pela cirurgia, ginecologia e obstetrícia, psiquiatria, trauma e ortopedia.
A pessoa que foi atrás de colegas usando sua imensa capacidade de convencimento para trazê-los para Ipameri; a pessoa que administrou o hospital cuidando para que tudo fosse bem feito, para que não faltassem material, remédios, lençóis, material de limpeza, instrumentos etc.
Essa pessoa não trabalhou sozinha. Aglutinou esforços. Liderou grandes inteligências, grandes capacidades. Catalizou idéias. Direcionou ações para a conclusão de um objetivo. Formou um corpo de auxiliares, para o que chegou a mandar enfermeira fazer capacitação no Rio de Janeiro.
Para que não houvesse nenhuma possibilidade de que aquela obra não fosse inteiramente de toda a comunidade; ele, toda a equipe, todo o grupo de idealizadores criaram-na como entidade benemérita: Associação de Amparo à Maternidade e à Infância de Ipameri.
Tive algumas oportunidades de conhecer esse homem um pouco mais de perto. Uma delas foi quando eu trabalhava na Tipografia Minerva e o jornal A Folha do Povo era impresso lá. Quase sempre ele ia lá comentar uma matéria ou a colocação de um clichê na matéria que ia ser publicada naquela semana e, assim, eu tinha oportunidade de ouvi-lo argumentar com grande clareza, brilhantismo e de modo às vezes combativo mas, no mais das vezes, alegre e camarada.
Depois, tive oportunidade de trabalhar por algum tempo na residência dele, onde eu auxiliava nos serviços gerais e tinha a função de buscar um galão de leite em uma chácara do Santinoni nas proximidades da cidade. Nessa época eu, certa vez, precisei de uma consulta médica e ele me atendeu com muita cortesia e eficiência. A residência dava fundos para o Hospital e ele, mal almoçava e já estava indo para o hospital. Era incansável.
Muitos anos depois, depois de muitas voltas do mundo e da vida, tive oportunidade de trabalhar com o agora meu colega David Cosac. Se eu já o admirava conhecendo-o de longe, quando trabalhamos juntos, pude testemunhar o idealista, o denodado, o desprendido, o grande colega que me acolheu, me orientou, confiou em mim, fez de tudo para manter uma equipe coesa no Hospital Maternidade de Jaraguá, que foi onde trabalhamos juntos. Quanto mais o conhecia , mais eu me reportava à Ipameri e entendia quem foi aquele grande médico e benfeitor que tinha opositores mas a cidade toda o via como um grande médico e a maioria da população o adorava.
Não vejo como não erigir um busto em praça pública para tão grande homem, tão notória figura humana.
Com você amigo, colega, ipamerino que me orgulha: Da Vida a Vida Vi.
Minha gratidão e admiração
Rilmar - 18.10.2009 –DIA DO MÉDICO
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